Capa "Economia azul — crescer sem degradar": sol, folha, onda, peixe e moeda dispostos em círculo. Legenda: sustentabilidade é condição para a renda.

A Economia Azul procura compatibilizar as atividades econômicas ligadas ao mar com a conservação ambiental e o bem-estar das comunidades. O valor produzido pelos oceanos depende de ecossistemas saudáveis, a sustentabilidade é condição para a continuidade da renda, não um objetivo isolado.

A Economia Azul procura compatibilizar as atividades econômicas relacionadas ao mar com a conservação ambiental e o bem-estar das comunidades. Seu fundamento é econômico e ecológico, pois a renda gerada pela pesca, pelo turismo, pela navegação e por outros usos depende da manutenção de ecossistemas capazes de prestar serviços e renovar recursos.

A degradação de manguezais, recifes, estuários e estoques pesqueiros reduz a produtividade e aumenta a vulnerabilidade das populações costeiras. Manguezais e estuários funcionam como áreas de reprodução e desenvolvimento de espécies de interesse comercial. Sua proteção, portanto, preserva a capacidade futura de produção e não deve ser tratada apenas como custo ambiental.

O conceito ganhou projeção internacional a partir da Conferência Rio+20 e foi incorporado a agendas como o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, dedicado à vida na água. A passagem do conceito para a política pública exige metas, indicadores e instrumentos capazes de compatibilizar usos econômicos concorrentes no espaço marinho.

Áreas marinhas protegidas, períodos de defeso e ordenamento espacial são exemplos desses instrumentos. Sua eficácia depende de dados, fiscalização e participação de quem vive do mar. Sem acompanhamento dos resultados e legitimidade social, medidas formalmente adequadas podem deslocar problemas ou impor custos desproporcionais a determinados grupos.

Assim, a Economia Azul considera a sustentabilidade uma condição para a continuidade da renda e do trabalho ligados ao mar. Destarte, políticas consistentes precisam proteger a base ecológica, distribuir custos e benefícios com justiça e avaliar se os instrumentos adotados produzem os resultados esperados.

Para aprofundar

  • World Bank; United Nations Department of Economic and Social Affairs (2017). The Potential of the Blue Economy: Increasing Long-term Benefits of the Sustainable Use of Marine Resources for Small Island Developing States and Coastal Least Developed Countries. Washington: World Bank. Publicação
  • OECD (2016). The Ocean Economy in 2030. Paris: OECD Publishing. doi:10.1787/9789264251724-en
  • Bennett, N. J. et al. (2019). “Towards a sustainable and equitable blue economy”. Nature Sustainability, 2, 991–993. doi:10.1038/s41893-019-0404-1
  • Costanza, R. et al. (2014). “Changes in the global value of ecosystem services”. Global Environmental Change, 26, 152–158. doi:10.1016/j.gloenvcha.2014.04.002

Sites para acesso