Capa "Do mar ao mercado — qualidade em toda a cadeia, peixe de valor no prato": fluxo de ícones ligados por setas — peixe, gelo, caminhão, fábrica, loja e moeda. Legenda: o valor se perde quando a cadeia se rompe.

A cadeia do pescado não termina na captura. O valor depende da integração entre captura, desembarque, refrigeração, transporte, processamento, comercialização e consumo, e falhas na cadeia de frio geram desperdício, perda de qualidade, preços menores para o pescador e riscos à segurança alimentar.

A cadeia produtiva do pescado não termina com a captura. O valor do produto é construído ao longo do desembarque, da refrigeração, do transporte, do processamento, da comercialização e do consumo. Uma falha em qualquer dessas etapas pode reduzir a qualidade, interromper o acesso a mercados e diminuir o preço recebido pelo pescador.

O pescado está entre os alimentos mais perecíveis. Sem gelo adequado desde a embarcação, sua qualidade pode cair em poucas horas. Parte do produto pode ser descartada, enquanto outra parte chega ao mercado com qualidade inferior e é vendida por preço menor. Ambas as formas de perda comprometem renda e segurança alimentar.

Esses problemas atingem com maior intensidade a pesca artesanal, que muitas vezes dispõe de acesso limitado a fábricas de gelo, câmaras frias, transporte refrigerado e unidades de processamento. Investimentos nessas estruturas podem reduzir perdas físicas e econômicas, mas precisam ser organizados de acordo com o volume, a localização e as condições reais de uso pelas comunidades.

Rastreabilidade, inspeção sanitária e certificação ampliam a confiança e podem abrir mercados que remuneram melhor o produto. O cumprimento dessas exigências requer registros, infraestrutura e coordenação. Colônias, cooperativas e associações podem distribuir custos e facilitar o acesso dos pequenos produtores, desde que os mecanismos de organização preservem sua autonomia e participação.

Desse modo, o valor econômico do pescado depende da continuidade e da qualidade de toda a cadeia. Melhorar conservação, logística, organização coletiva e informação reduz desperdícios, protege o consumidor e aumenta a parcela de valor que permanece com quem trabalha na atividade.

Para aprofundar

  • Kruijssen, F.; Tedesco, I.; Ward, A.; Pincus, L.; Love, D.; Thorne-Lyman, A. L. (2020). “Loss and waste in fish value chains: A review of the evidence from low and middle-income countries”. Global Food Security, 26, 100434. doi:10.1016/j.gfs.2020.100434
  • FAO (2011). Global Food Losses and Food Waste — Extent, Causes and Prevention. Roma: FAO. Texto integral
  • Bjorndal, T.; Child, A.; Lem, A. (org.) (2014). Value Chain Dynamics and the Small-Scale Sector: Policy Recommendations for Small-Scale Fisheries and Aquaculture Trade. FAO Fisheries and Aquaculture Technical Paper 581. Roma: FAO.
  • FAO (2024). The State of World Fisheries and Aquaculture 2024. Roma: FAO. doi:10.4060/cd0683en — Capítulos sobre utilização, comércio e perdas de pescado.
  • Decreto nº 9.013/2017 (Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal — RIISPOA): texto integral.

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