
Um bem físico é rival; a informação e muitos bens digitais, não. O custo inicial de produção pode ser alto, mas a cópia adicional custa quase nada, e isso muda a precificação e favorece assinaturas, publicidade, licenciamento, versionamento, pacotes e freemium.
Um bem físico normalmente é rival, pois, quando uma pessoa utiliza determinado recurso, ele pode deixar de estar disponível para outra. Muitos bens digitais apresentam comportamento diferente. Um software, arquivo, vídeo ou livro eletrônico pode ser reproduzido e utilizado simultaneamente por diversas pessoas sem que o acesso de uma delas reduza, por si só, a disponibilidade para as demais.
Essa característica não significa que produzir informação seja barato. Pesquisa, programação, infraestrutura, edição e criação podem exigir investimentos elevados. A diferença aparece depois que a primeira versão está pronta, pois o custo de disponibilizar uma cópia adicional tende a ser muito baixo. A atividade combina, assim, custos fixos relevantes com custo marginal próximo de zero.
Essa estrutura limita a utilidade de precificar o produto apenas pelo custo de produzir uma unidade adicional. Empresas passam a considerar o valor percebido por diferentes grupos de usuários e recorrem a assinaturas, publicidade, licenciamento, versionamento, pacotes e modelos freemium. A escolha do mecanismo de receita depende do perfil da demanda, dos custos de operação e das possibilidades de controlar o acesso.
A não rivalidade também transforma a exclusão em uma decisão incorporada à arquitetura do sistema. Autenticação, licenças, gestão de direitos digitais e restrições de uso definem quem pode acessar o produto e em quais condições. Em sentido diverso, a mesma não rivalidade sustenta o software livre, os dados abertos e as licenças Creative Commons, pois o compartilhamento não reduz o estoque de informação disponível.
Desse modo, a diferença econômica entre bens físicos e digitais explica por que mercados de informação desenvolvem formas próprias de preço, acesso e distribuição. Para quem projeta sistemas, compreender essa estrutura é essencial para escolher modelos de negócio coerentes e regras de acesso proporcionais ao valor e aos direitos envolvidos.
Para aprofundar
- Shapiro, C.; Varian, H. R. (1999). Information Rules. Boston: Harvard Business School Press. — Capítulos 1 a 3: bens de informação, custos e precificação.
- Samuelson, P. A. (1954). “The Pure Theory of Public Expenditure”. Review of Economics and Statistics, 36(4), 387–389. doi:10.2307/1925895 — A origem da distinção entre bens rivais e não rivais.
- Romer, P. M. (1990). “Endogenous Technological Change”. Journal of Political Economy, 98(5), S71–S102. doi:10.1086/261725 — Ideias como bens não rivais e o crescimento econômico.
- Goldfarb, A.; Tucker, C. (2019). “Digital Economics”. Journal of Economic Literature, 57(1), 3–43. doi:10.1257/jel.20171452
Sites para acesso
- Creative Commons: licenças que exploram a não rivalidade para permitir cópia e reúso com regras claras.
- Open Source Initiative: definição de software livre/aberto e licenças aprovadas.
- Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014): princípios para o uso da internet no Brasil, inclusive neutralidade de rede e responsabilidade por conteúdo.


