
Efeitos de rede acontecem quando o valor de um produto cresce à medida que mais pessoas o usam, diretamente, como nos aplicativos de mensagens, ou de forma cruzada, quando um grupo atrai outro. O desafio das plataformas é alcançar massa crítica.
Os efeitos de rede ocorrem quando o valor de um produto ou serviço se altera conforme aumenta o número de participantes. Nos efeitos diretos, cada novo usuário amplia as possibilidades de interação dos demais, como acontece em aplicativos de mensagens e redes de comunicação. Nos efeitos indiretos ou cruzados, o crescimento de um grupo atrai participantes de outro. Uma plataforma de mobilidade, por exemplo, torna-se mais atraente para motoristas quando reúne mais passageiros e mais útil para passageiros quando aumenta a oferta de motoristas.
A Lei de Metcalfe é uma heurística frequentemente utilizada para ilustrar a expansão das conexões potenciais. Em uma rede com N usuários, existem N(N − 1)/2 pares possíveis, razão pela qual o valor da rede costuma ser representado como proporcional a N². Essa formulação não deve ser tratada como lei empírica. Nem todas as conexões possuem a mesma relevância, e outras aproximações, como N log N, podem descrever melhor determinados contextos.
O principal desafio de uma plataforma nova é alcançar massa crítica. Antes desse ponto, a baixa quantidade de participantes reduz a utilidade do serviço e dificulta novas adesões. Depois dele, o crescimento pode adquirir alguma capacidade de retroalimentação. Esse processo ajuda a explicar por que empresas subsidiam usuários iniciais, facilitam convites e reduzem barreiras de entrada.
Os mesmos efeitos que geram valor podem elevar custos de troca e produzir aprisionamento tecnológico. Deixar uma rede pode significar perder contatos, reputação, histórico ou compatibilidade com outros usuários. Essa dinâmica favorece a concentração e torna a interoperabilidade uma questão relevante para a política concorrencial, pois a comunicação entre redes pode reduzir a dependência de um único fornecedor.
Em síntese, efeitos de rede são centrais para explicar o crescimento, a concentração e a permanência dos usuários em mercados digitais. Seu estudo permite distinguir o valor criado pela expansão da rede dos riscos decorrentes de dependência, custos de troca e redução da concorrência.
Para aprofundar
- Katz, M. L.; Shapiro, C. (1985). “Network Externalities, Competition, and Compatibility”. American Economic Review, 75(3), 424–440. — O artigo fundador da literatura sobre externalidades de rede.
- Katz, M. L.; Shapiro, C. (1994). “Systems Competition and Network Effects”. Journal of Economic Perspectives, 8(2), 93–115. doi:10.1257/jep.8.2.93 — Versão acessível, de leitura livre.
- Farrell, J.; Klemperer, P. (2007). “Coordination and Lock-In: Competition with Switching Costs and Network Effects”. In: Handbook of Industrial Organization, vol. 3, pp. 1967–2072. doi:10.1016/S1573-448X(06)03031-7
- Metcalfe, B. (2013). “Metcalfe’s Law after 40 Years of Ethernet”. Computer, 46(12), 26–31. doi:10.1109/MC.2013.374
- Briscoe, B.; Odlyzko, A.; Tilly, B. (2006). “Metcalfe’s Law is Wrong”. IEEE Spectrum, 43(7), 34–39. doi:10.1109/MSPEC.2006.1653003 — A crítica que propõe N log N.
- Shapiro, C.; Varian, H. R. (1999). Information Rules, capítulo 7 (“Networks and Positive Feedback”).
Sites para acesso
- Journal of Economic Perspectives: periódico da American Economic Association com acesso livre — inclui o artigo de Katz e Shapiro (1994).
- Cetic.br — TIC Domicílios: dados sobre a adoção de aplicativos e redes no Brasil, úteis para pensar massa crítica.


