A economia digital exige uma leitura que aproxime tecnologia, incentivos e instituições. Dados, software e conhecimento participam da produção de valor, mas também alteram contratos, formas de concorrência, relações de dependência e direitos dos usuários. Por isso, uma decisão sobre coleta de dados, arquitetura de sistemas ou desenho de uma plataforma produz efeitos que ultrapassam o funcionamento técnico da solução.
Esta série nasceu das disciplinas de Economia Digital e Direito Digital que leciono no curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Alagoas. A proposta é apresentar conceitos econômicos de maneira acessível, sem perder o rigor necessário para relacioná-los a problemas concretos de desenvolvimento de sistemas, gestão de organizações e formulação de políticas públicas.
Os temas também admitem investigação empírica. A teoria dos grafos e a análise de redes sociais permitem mapear relações, fluxos, centralidade e influência. Modelos de externalidades de rede ajudam a examinar como a entrada de novos usuários altera o valor de um serviço. A literatura sobre plataformas multilaterais estuda a interação entre grupos distintos, a formação de preços e os subsídios cruzados. Em aplicações voltadas à economia digital, a precificação dinâmica combina informações sobre oferta, demanda e comportamento, enquanto modelos de séries temporais, como ARIMA e LSTM, podem apoiar previsões de demanda e o planejamento de infraestrutura. Métodos econométricos, entre eles diferenças em diferenças e regressão descontínua, também são úteis para avaliar adoção tecnológica, eficiência e impacto.


Em síntese, compreender a economia da informação e das redes permite avaliar produtos digitais como sistemas de incentivos, e não apenas como conjuntos de funcionalidades. Essa perspectiva ajuda profissionais e estudantes a formular decisões tecnicamente consistentes, economicamente sustentáveis e juridicamente responsáveis.